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Mostrando postagens de outubro, 2024

FILME: "Speak No Evil" (2024) sem spoilers.

E Em um não tão distante 2022, uma produção dinamarquesa de mesmo nome chamou a atenção de crítica e público, e fui conferir com muita expectativa. Porém, contrariando boa parte das opiniões, considero um filme muito bem construído até o seu terceiro ato, que se torna absolutamente irritante a ponto de me desconectar do filme. O sucesso do filme foi tanto que não demorou para Hollywood anunciar a famigerada versão americana, que muita gente torceu o nariz, enquanto pensei imediatamente se eles iriam "respeitar" o original incluindo aquele desastroso ato final. A boa notícia é que sim, aparentemente esse repúdio a conclusão do original não era apenas meu, e o remake trata de refazê-lo completamente. Mas isso não necessariamente o torna um filme superior. O que o original tem de melhor, além da angústia crescente, é um certo estranhamento com o que de fato estamos lidando. O filme carrega diversas nuances que nem sempre se concretizam, mas que juntas acabam criando uma atmosfer...

“Assombro” de Palahniuk ou A exaustão da violência.

       Eu sou apaixonado por Clube da Luta. Quando vi o filme pela primeira vez, foi a consumação de tudo aquilo que, na época, almejava como artista: disruptivo e videocliptico. Uma transposição surpreendente de um livro vigoroso e recheado de ideias inflamáveis.      Quando o nome do autor saltou em meio a prateleira de um sebo, nem pestanejei e comprei, atraído não só pelo estilo do autor mas como pela trama em si. Infelizmente, apesar do início promissor, o desenvolvimento me causou um efeito estranho ao longo de suas mais de 500 páginas.     Ainda que com a áurea de seu livro mais conhecido, que poderiam facilmente pertencer a um mesmo universo de seres inconformados com o sistema e com sede de destruir tudo, estruturalmente a história conta com um problema meio óbvio: selecionados para um misterioso retiro de escritores, acompanhamos a história de DEZOITO personagens mais o dono da empreitada e sua mulher. Logo de início, descobrim...

Vamos trazer de volta o telefone discado?

     Já recuperaram tanto hábito antigo, tipo ouvir LP e revelar fotos, acho que faria bem pro mundo uns dois passos para trás e resignificar algumas coisas. Não é absurdamente de outro planeta pensar que havia um tempo que se pagava (caro) para falar com outra pessoa? Que a gente ensaiava o que ia dizer para não perder muito tempo? Se comunicar era um luxo! Hoje em dia, estamos todos exaustos, prestes a ter um colapso nervoso coletivo e se comunicando através de figurinhas e troca de vídeos engraçados.      Lá na época do Orkut, quando a comunicação ainda não havia se tornado a prostituta mais gostosa do puteiro, era divertido tentar lembrar o nome dos colegas de escola para adicionar como amigo; retomar os contatos, "E aí, o que tem feito?", "Por onde anda?" e outras interações. Hoje em dia, cá estamos dando unfollow em ex-conhecidos, silenciando gente chata e, no auge do cansaço, apagando o perfil antigo e começando um novo; deixando de abrir aquela mens...