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Vamos trazer de volta o telefone discado?

    Já recuperaram tanto hábito antigo, tipo ouvir LP e revelar fotos, acho que faria bem pro mundo uns dois passos para trás e resignificar algumas coisas. Não é absurdamente de outro planeta pensar que havia um tempo que se pagava (caro) para falar com outra pessoa? Que a gente ensaiava o que ia dizer para não perder muito tempo? Se comunicar era um luxo! Hoje em dia, estamos todos exaustos, prestes a ter um colapso nervoso coletivo e se comunicando através de figurinhas e troca de vídeos engraçados.

    Lá na época do Orkut, quando a comunicação ainda não havia se tornado a prostituta mais gostosa do puteiro, era divertido tentar lembrar o nome dos colegas de escola para adicionar como amigo; retomar os contatos, "E aí, o que tem feito?", "Por onde anda?" e outras interações. Hoje em dia, cá estamos dando unfollow em ex-conhecidos, silenciando gente chata e, no auge do cansaço, apagando o perfil antigo e começando um novo; deixando de abrir aquela mensagem até que o tempo trate de empurrá-la para baixo da vista.

    Quanta oportunidade perdida nesse oceano de descomunicação?
    
    Posso fazer um tratado sobre aquela mensagem aparentemente corriqueira que ignorei, e que estava abarrotada de importância... Mas deixa essa história para outro momento, não cabe aqui.

    Saudades de quando esperava ansioso a resposta daquela carta, ou quando o coração palpitava com o toque do telefone. Hoje, às vezes uma simples notificação já dá vontade de virar monge no Japão.

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