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O que o original tem de melhor, além da angústia crescente, é um certo estranhamento com o que de fato estamos lidando. O filme carrega diversas nuances que nem sempre se concretizam, mas que juntas acabam criando uma atmosfera de incerteza até os chocantes desdobramentos do terceiro ato. Existe por exemplo, uma sugestão homoerótica clara, e que ajuda a compor certa (falta de) atitude do personagem em tomar decisões mais assertivas. A criança que não fala soa distante e estranha, ajudando ainda mais a criar uma sensação de desconforto. Já a versão americana trata de tirar quase todo subtexto, deixando bem clara as intenções dos personagens e sem margens para dúvidas, substituindo inclusive uma possível interação homoafetiva por uma história mais palatável de uma atração Homem X Mulher e a criança que claramente está tentando explicar o perigo que os espera. O que move todo o filme é a demora do casal em conseguir se impor em uma situação cheia de nuances, o que no original é parte da estrutura de roteiro que brilhantemente serve para compor suas personagens e o ritmo do filme. O que ocorre na versão americana é que, retirado todo o subtexto, sobram as escolhas que causam apenas frustração e a sensação de que não estamos acompanhando personagens muito espertos. Porém, como todo produto americano, o terceiro ato trata também de corrigir estas escolhas, e entrega aos personagens a chance de se redimir em atitude; ainda que pesando a mão nos clichês de jornada do herói e terminando por causar riso pelo exagero.
No final acabei saindo mais satisfeito da versão americana, pois nada contra algumas convenções cinematográficas, ao contrário do original que me fez xingar o monitor de raiva. Sendo ainda bem sucedido nas suas adaptações de cenário e atores, arrisco dizer que o remake termina com um saldo bem positivo, ainda que a experiência do original carregue consigo a sensação de uma abordagem mais original para uma história já um tanto batida.

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