Sempre gostei de calçada portuguesa. Quando pequeno, era a oportunidade de uma brincadeira rápida na rua enquanto os pais botavam pressa; só pode pisar no branco/preto, corrida com obstáculos, labirinto. Quando a gente cresce, viram dor de cabeça: irregulares, soltas, escorregadiças. Recentemente o centro foi tomado, de forma desorganizada, pela calçada de brita. Muito mais prática, joga uma mistura de cimento com pedrinhas, alisa porcamente e pronto, dura até o próximo meteoro. Salvador passa por um processo de calçamento bizarro, obras que se estendem por quadras inteiras, durante semanas, o comércio se lascando em caos e poeira para enfim, uma calçada de brita, torta e feia. Calçada portuguesa está reservada às praças e os entornos que contam com o interesse do governo, aí não falta pedra, apenas arvoreamento. Passe em frente ao TCA ao meio-dia e se sinta num conto de Asimov sendo banhado por seis sóis. Mas vou tentar me manter no ...