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CRÍTICA - Não Se Mexa - Netflix - 2024 (Com spoilers)

   

O emburrecimento do público foi tema recorrente a alguns anos, quando o surgimento do fenômeno Netflix mudou a forma como consumimos cinema. No conforto de casa, virou rotina procurar “Algo para assistir” no mesmo despojamento de sentar em um restaurante e olhar o menu. No fluxo de preencher catálogo, o novo suspense da plataforma conta com todos os requisitos para ser um passatempo bem embalado, mas com um recheio de gosto questionável.


O mais novo sucesso-da-semana da Netflix, o suspense “Não Se Mexa”, conta com uma premissa simples e dramaturgicamente desafiadora, mas que na prática apenas revela a incapacidade do seu roteiro de sustentar a história sem um amontoado de desvios para preencher o tempo de tela. Em poucos minutos, somos apresentados a Iris, a beira do penhasco onde seu filho pequeno caiu, e prestes a repetir os mesmos passos na tentativa de aliviar seu sofrimento. Eis que um estranho a interpela, e em um breve diálogo expositivo, acaba convencendo-a a desistir da ideia, para logo em seguida se revelar um sequestrador e assassino em potencial, injetando nela uma substância que, em poucos minutos, a deixará paralisada por algumas horas, mas acordada e consciente de tudo a seu redor.


Apesar do início promissor, o grande problema do roteiro é que, após estabelecido a dinâmica, o filme não sabe o que fazer com sua história e opta por colocar uma série de personagens que surgem em cena apenas para servir de obstáculo para o objetivo do psicopata, e que vão morrer sem função dramatúrgica a não ser alongar o roteiro que não tem muito a dizer. Trazendo revelações pontuais que servem para causar a falsa sensação de urgência, ao final sequer fica claro as intenções do assassino, que afirma que tem que abreviar seus planos e segue para um terceiro ato preguiçoso no meio de um lago onde o desafio final da protagonista é boiar em água parada como se ela já não tivesse sobrevivido a uma correnteza no momento mais crítico da injeção que a paralisou.


Ao final, resta a tentativa de criar uma protagonista forte e resiliente, mas que se perde no amontoado de situações vazias de significado e que supostamente deveriam criar tensão. Uma pena que, momentos inspirados como o assassino usar da muleta do homem que chora para convencer todas as pessoas em seu caminho, bem como a cena da mulher que, mesmo sem nenhuma comunicação, percebe outra mulher em perigo, sejam meras pinceladas de um filme que poderia ser interessante. Porém, como boa parte das produções de seu catálogo, o filme está recheado de ideias para se encaixar no que o streaming deseja: um breve sucesso destinado a ser absolutamente esquecido na semana seguinte.

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