Nas últimas semanas, minha mente esteve em completo caos enquanto tentava concluir meus projetos para o edital. É impossível não se sentir sobrecarregado: crises, desistências, choro, pausas para respirar, e, em seguida, a retomada de um processo que, hoje, parece ser o único caminho para viabilizar qualquer projeto. Depois de muitas tentativas, aprende-se mais sobre os detalhes e nuances do processo. Mas isso não o torna mais fácil: lidar com orçamento, produção, cronogramas e outros aspectos técnicos e organizacionais sempre me deixa à beira de um colapso. Contudo, há um ponto que sempre me provoca: a falta de um detalhe que, embora pequeno, carrega um peso enorme para minha existência nas artes — as cotas. Todo edital repete o mesmo roteiro: “Com qual raça/cor/etnia você se identifica?” Entre todas as opções, apenas uma parece ser tratada como mera formalidade: amarela. Enquanto outras minorias são direcionadas para avaliações diferenciadas, co...
O emburrecimento do público foi tema recorrente a alguns anos, quando o surgimento do fenômeno Netflix mudou a forma como consumimos cinema. No conforto de casa, virou rotina procurar “Algo para assistir” no mesmo despojamento de sentar em um restaurante e olhar o menu. No fluxo de preencher catálogo, o novo suspense da plataforma conta com todos os requisitos para ser um passatempo bem embalado, mas com um recheio de gosto questionável. O mais novo sucesso-da-semana da Netflix, o suspense “Não Se Mexa”, conta com uma premissa simples e dramaturgicamente desafiadora, mas que na prática apenas revela a incapacidade do seu roteiro de sustentar a história sem um amontoado de desvios para preencher o tempo de tela. Em poucos minutos, somos apresentados a Iris, a beira do penhasco onde seu filho pequeno caiu, e prestes a repetir os mesmos passos na tentativa de aliviar seu sofrimento. Eis que um estranho a interpela, e em um breve diálogo expositivo, acaba convencendo-a a ...